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Eu e o temido limbo do meio da faculdade

        Está para existir um limbo maior do que o sexto período de Direito. 
         As matérias são ótimas e os professores também, é apenas uma questão mais matemática do que acadêmica, é o meio. É aquela fase que você não se preocupa com o TCC porque está muito longe, mas também não pode ficar sossegado sem se preocupar com o futuro, como no começo, tendo em vista que já passou do meio da faculdade, logo vai estar com a OAB na mão e um grande ponto de interrogação na mente. 
        Eu estudei um ano na Alemanha. Fazendo as contas são 5 anos de Direito mais 1 ano de faculdade fora. Resumido, vou ser acadêmica de Direito por 6 anos. E, se por um lado, já se foram 4 anos, por outro lado só faltam dois anos para me formar. Só dois anos. 
         O quão assustador é ouvir isso? O ambiente tão acolhedor do começo da faculdade começa a se transformar em um enorme buraco negro que tudo engole, inclusive você mesmo. 
        Ok, parei de drama. Todo mundo sabe que adoro exagerar um pouquinho. Toda vez que alguém me conta uma história sem graça, penso, por que o fulano não exagerou nessa história? Ia ficar tão legal com uma pitada de drama! É exatamente isso que se passa na cabeça de uma escritora...
        Enfim, voltando ao limbo. A impressão que eu tenho é que todo mundo está trabalhando ou se formando e continuo aqui presa no terceiro ano da faculdade de Direito (na verdade o quarto, se eu contar o período alemão). 


Aber fortfahren und weiter machen. 

Eduarda, a diferente

       Já faz uns dois meses que estou de volta ao Brasil e eu tinha prometido que voltaria a escrever com mais frequência no blog, no entanto, falhei miseravelmente...
       Eu poderia vir aqui e inventar mil desculpas do tipo: não tive tempo, o pessoal da minha sala me olha torto, estou em semana de provas, não sei andar de carro por Curitiba... E mesmo que alguma dessas respostas fosse verdade, na minha cabeça quem quer, não importa o que seja, arruma um tempo.
       Não que tenha acontecido algo trágico ou que tenha acontecido algo maravilhoso, tipo ganhei na mega-sena; mas apenas vivi a frase dita pelos meus amigos alemães "ich habe kein Bock", ou seja, eu não estava/estou afim.
       Eu amo escrever e amo compartilhar o que escrevo, mas ultimamente não quero compartilhar sobre o meu intercâmbio, porque isso tudo é tão meu e nada do que eu disser aqui vai fazer sentido para quem ler e não conseguir entender o que eu disse, o que eu realmente disse; ou melhor, o que eu realmente senti e vivenciei.
       Por onde eu ando? Ando bem, por aí, alguns dias acordo extremamente feliz e animada enquanto em outros parece que eu sou o K. do livro O Processo do Kafka; é como se eu estivesse sendo investigada por um crime que eu não sei qual é presa em um mundo que ninguém parece me entender ou até mesmo falar a mesma língua que eu, além presa em um mundo que todos me observam curiosos e com receio.
       É como se eu estivesse presa em um mundo de míopes com medo de ver além do que possa incomodar o nosso umbigo e eu fosse a única pensando diferente. 
        Talvez seja isso que me incomode e por isso que eu suma de vez em muito.
       Na Alemanha era para eu ser a diferente e a estranha, no entanto com as minhas amigas e na minha faculdade aquilo parecia tudo tão meu, me sentia muito igual a elas. Acho que voltei esperando me sentir mais igual aos outros já que aqui é a minha terra natal, acontece que aqui eu sou a diferente. Sou eu que chego na sala de aula e fico viajando pensando se o Bayern ganhou ontem, se a minha amiga vai conseguir viajar para casa esse final de semana, se aquele professor da faculdade continua fazendo as piadas com a falência da Daimler ou lendo notícias sobre a criminalidade na Europa. 
       Eu costumava me preocupar MUITO com as provas da faculdade antes ir para a Alemanha, mas hoje em dia eu não me preocupo; apenas estudo e pronto, sem nervosismo. Se vocês soubessem a quantidade de provas difíceis que eu já fiz na Alemanha, as provas eram impossíveis que hoje eu olho tudo isso da faculdade e apenas penso: caraca, isso aqui eu dou conta. Se as pessoas soubessem o quanto de apuro eu passei para dar conta de estudar para as provas no velho continente, talvez entendessem a minha calma este semestre.
       Talvez que seja essa "confiança" que me faça diferente, eu já passei por tanta coisa diferente, eu já vi o mundo de tantas formas, eu já vi tantas cidades diferentes deste mundo, que por mais complicado e difícil que seja uma fase por aqui eu sei que no fundo tudo isso vai passar. Não é o fim do mundo o que alguém tenha te dito hoje, mesmo que de forma grosseira. Pessoas boas e ruins vão passar.
       Fases passam, boas ou ruins. E essa é a graça da vida, imagina o quão chato seria sem esses altos e baixos?


Meu Ano de Intercâmbio - Mein Auslandsjahr

 


   Ich werde versuchen auf Deutsch zu schreiben. Guckmal, wie es läuft...
      Leider ist mein Auslandsjahr vorbei. Ich bin wieder zu Hause mit meiner Familie und Freunde. Ich habe gerade ein komisches Gefühl. Ich freue mich auf meine Heimat aber manchmal denke ich darüber nach was würde ich gern machen wenn ich noch in Konstanz wäre? Ich könnte mehr Milka Schokolade essen.
       Während meines Auslandsjahr ist meine Deutschkenntnisse täglich besser geworden. Ich suche gerade ein Tandem in Curitiba.
      Ich bin noch nicht komplett in Curitiba eingelebt und diese Fachbürokratie der Universität ist ein Chaos und alles dauert länger als man denkt. Ich habe meine Dokumente noch nicht alle übersetzt und die Übersetzungen sind unglaublich teuer. Ich habe gerade unfassbar Bürokratie Probleme.
      Ich habe vergessen, dass das brasilianische Wetter super angenehm ist. Ich geniesse die Sonne jeden Tag. Ich liebe Schnee aber ich werde nie deutsches Winter vermissen. Ich habe auch vergessen, dass ich brasilianisches Essen sehr liebe. Ich werde nie das Mensa Essen vermissen.
      Ich vermisse Deutsches Recht zu lernen. Ich versuche viel auf deutsch zu lesen, aber manchmal habe ich einfach nicht genug Zeit dafür. Ich vermisse die Deutschsprache auf das Alltagsleben zu hören. Ich vermisse auch mit meiner Freunde zusammen zu lernen und meine Freunde fast jeden Tag fragen "Was bedeutet es?" und "Wie kann ich es richtig sagen?". Es ist einfach juristische Arbeit, wir arbeiten mit Definition. 
      Ich bin in der Uni, ich beobachte Leute dort und ich habe den Kopf voll: "was ist genau hier passiert während ich weg war?" oder "wer sind diese Leute von meinem Semester, die kenne ich gar nicht?". Ich habe auf mein neues Semester keine richtige Leute für mitarbeiten gefunden. Schade. Ich vermisse die Mädels -  meine Mädels, wahrscheinlich. Es war richtige traurig mich zu verabschieden.

   In Deutschland bin ich die Austauschstudentin. In Brasilien bin ich die Studentin, die in Deutschland war. 
      
      
      
      

      
      

A minha vida cabe numa mala - mas não fecha

alemanha+intercambio+ensaiopoetico+eduarda+kiame+vida+na+europa+direito
Nürnberg

         Quando eu estava me preparando para fazer o meu intercâmbio na Alemanha, tive que separar um monte de coisa para trazer para cá. Fazer a mala para um ano não é nada fácil. E foi uma tarefa trabalhosa, mas não tão difícil. 
         Eu deixei um pedaço de mim aqui, com certeza. Deixei vários pedaços, a mocinha de 19 anos é uma mulher de 20. A pessoa que pegou o avião na ida não é a mesma no caminho de volta. "Nenhum homem pode banhar-se no mesmo rio duas vezes", não é mesmo? 
         Mas eu ganhei outro pedaço de mim, um bem grande. Sou quase uma boneca de pano toda costurada com todas as experiências que vivi, com amigos que construí, com tudo que estudei e com todos dias na faculdade tão estranha da que estou acostumada.
         Agora parece meio surreal para essa nova Eduarda empacotar tudo dentro de uma mala, porque
agora depois de um ano, um ano de tanta coisa de tanta batalha e de tantas alegrias, a mala não fecha
         Não fecha não porque eu tenho coisa demais, mas sim porque eu vivi coisa demais. Passei diversos momentos que só pareciam possíveis nos meus sonhos e tudo aconteceu, as coisas aconteceram na mais perfeita vontade de Deus. Não tem como empacotar tudo isso em alguns quilos ou até mesmo em muitos quilos. A parte mais importante está dentro de mim e isso ninguém consegue saber como realmente foi e nem tirar de mim. 
         Quando eu olho as malas e penso que tudo que eu tenho e vivi está ali dentro, depois percebo que o mundo é na verdade do tamanho de um vilarejo e eu nunca vou conseguir tudo que há em mim dentro de uma mala.


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Update - viel erlebt

      Ando sumida. Eu sei. É que tenho estado muito unterwegs, ou seja, quando não estou na faculdade, estudando; estou com amigos ou passeando por aí. Agora que o sol está aparecendo mais frequentemente, é muito mais agradável ficar do lado de fora. Tem dias que saio de casa achando que estou esquecendo algo porque estou sem o meu casaco de inverno. É sério.
           Fiz tanta coisas esse último mês que nem parece verdade. Fui duas vezes até a Suíça, fiz a minha primeira prova de corrida da vida, visitei o Parlamento Europeu em Strasbourg. E dentre estas coisas grandes, coisas pequenas do dia a dia têm acontecido e me deixado feliz também. Um café da tarde com amigas, estou muito mais segura no alemão, o sol, as aulas, os meus colegas. Talvez eu seja boba ou inocente, mas encontrar um conhecido no ônibus e ir papeando durante o caminho já é algo que me deixa feliz.
      Os dias de sol me lembram os dias de verão que peguei logo que cheguei aqui. E caramba, quanta coisa mudou, parece que tanta coisa aconteceu que nem eu sei direito. Quando cheguei aqui não conhecia ninguém, não tinha moradia e tinha muita vergonha de falar alemão. Nem parece a mesma pessoa que quarta-feira chegou na casa de uma amiga, tirou os sapatos, sentou e ficou conversando em alemão enquanto assistia o Bayern jogar contra o Atlético. Isso sem falar em pegar ônibus e sair por aí andando sozinha quase dez da noite, estou meio desacostumada com criminalidade como a nossa brasileira, espero não ser um choque tão feio quando eu chegar... É realmente mágica essa liberdade toda de ir e vir.
      E o alemão? Como anda essa língua tão complicada? Não é perfeito, claro. Mas vai muito bem, obrigada. Vira e mexe ganho um elogio, o que me deixa saltitante de feliz. Minhas amigas dizem que eu não preciso mais aprender que eu já aprendi alemão, mas eu sou muito exigente e a gente pode sempre melhorar.
      A verdade é que estou meio afastada de redes sociais no geral, estou focada em aproveitar o máximo o pouco tempo que me resta, passando o máximo de tempo possível com meus amigos e também buscando aprender/ absorver o máximo possível. Com o sol até quase 9 da noite, o que eu quero depois de um dia de estudos é ficar do lado de fora na beira do lago ou do Reno. O tempo está passando muito rápido e impressionante como Konstanz faz parte de mim, como eu vivi tanto tempo em uma cidade que não tem um lago como o Bodensee? 
      Outra coisa é que geralmente chego em casa muito cansada e a última coisa que vou pensar é em escrever para o blog. Semana passada fiz um passeio para uma cidade aqui perto, nisso o tour foi em alemão, eu falava com os colegas intercambistas em inglês, arranhava o francês com uma amiga minha francesa e no final do dia fomos no Street Food aqui da cidade onde a maioria das pessoas que eu conhecia eram espanhóis e eu adoro uma oportunidade de praticar minhas habilidades, então lá ia eu falar espanhol com eles. No final do dia, estava TÃO cansada que tudo que eu menos queria era falar.
      Paro e penso nas coisas que eu fiz, nas viagens, nas trocas de trem, no frio, na chuva, no desconhecido, na cultura totalmente diferente, na língua, nas provas da faculdade, nas matérias e, caramba... Eu fiz tanta coisa. "Viel erlebt", "muita coisa vivida" me disse um colega outro dia e é verdade. 

Diese Welt ist geil / O mundo é demais.

Sobre a minha amiga que nunca andou de avião

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      Uma das minhas amigas aqui na Alemanha vem de uma cidade super pequena, perto da Floresta Negra e um dia desses me contou que nunca andou de avião. Fiquei um tanto quanto chocada, admito. É um pouco estranho até pensar que eu, que viajei quase um dia inteiro para estar aqui, e ela sejamos tão amigas. 
      Há um tempo li essa frase desta imagem abaixo e na época pareceu um pouco tanto irreal. O que duas pessoas totalmente diferentes poderiam ter tanto em comum? E a resposta é mais simples do que imaginamos. E a troca é muito rica. É bom conviver com gente diferente, aprender outras coisas, viver uma cultura completamente diferente da nossa.
   
"Vire amigos de pessoas que não têm a sua idade, saia com pessoas que a primeira língua não é a mesma que a sua, conheça pessoas que não tem o mesmo nível social que você.  É assim que você vê o mundo, é assim que você cresce"

       Há algo um tanto quanto mágico viver uma cultura tão diferente da nossa. Acho engraçado que essa minha amiga me acha brava, corajosa e muito forte por ter viajado para tao longe. É interessante me ver com os olhos dela, porque eu definitivamente não consigo me enxergar da forma que ela me vê.
      E ela, por outro lado, uma menina de interior, que não viu uma realidade diferente da dela e que não sabe como é a vida do outro lado do mundo; me acolheu, abriu os braços, foi na minha casa, dividimos aulas, estudos, madrugadas e confidências.
      A verdade é que o novo assusta e o diferente mais ainda, mas existe algo tao peculiar nessa troca e tao rico que vale a pena se arriscar. Eu te juro.
      "Es wird dein Leben ändern wirklich" (vai mudar a sua vida sério).



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Diário de Escrita 02 – A Culpa da Página Não Escrita

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Um dia de Sol em Düsseldorf

            Oi, gente! Tudo bom? Esse é mais um post da série diário de escrita, o qual vou contar um pouco mais do processo de escrita do terceiro livro da saga Elfos Urbanos. Se você não leu o Diário de Escrita 01, clique aqui.
Bom, a escrita de um livro não é uma ação simples, rápida e sem complicações; é um processo maravilhoso de meus erros e acertos que levam a um resultado final. Esse processo todo que estou vivendo com o teceiro livro é um processo de voltar a escrever depois de um longo período parada e isso me trouxe diferentes vivências.
            Durante o mês de Fevereiro praticamente inteiro eu passei por um período de provas e final de semestre, o que em qualquer lugar do mundo significa correria, estresse e falta de tempo. Com toda essa fase turbulenta, inevitavelmente, estudei demais e escrevi de menos. Quero dizer, posso dizer que tentei durante as pausas do período de estudo sentar e escrever, mas eu estava tão cansada e já tinha estudado o dia todo que não conseguia escrever nada.
Então, a cada dia que passava eu escrevia menos do que queria e me chateava muito, mas o que eu podia fazer? Não poderia deixar de estudar para escrever. A faculdade é muito importante para mim, não importa em qual lugar do mundo. Não vivo de escrever, tenho uma vida além dos meus livros e, por mais que eu me esforce muito, existem momentos da vida que eue preciso aceitar que não terei tanto tempo e nem tanta disposição para escrever como eu queria.
Mas, caramba, é muito difícil aceitar que muitas vezes as coisas não acontecem como a gente tanto planeja e que também não suprimos as nossas próprias expectativas.
E é extramente difīcil aceitar isso.
Eu vira e mexe sinto a culpa da página não escrita, aquele pensamento que vem e me atormenta „deveria estar escrevendo agora“, „não importa que eu estou cansada“. Depois de tantos anos escrevendo, foi só esse ano que eu comecei a me livrar desta culpa. Se eu estou me esforçando por que devo me sentir mal? E eu não quero escrever qualquer coisa só porque preciso por algumas palavras no papel. Tem que ter qualidade.
Estou aprendendo a aceitar os meus limites. Eu quero escrever, mas hoje estou muito cansada e é só 200 palavras que eu consigo escrever. Tudo bem, é o suficiente, o meu esfoço por ter tentado já siginifca que não estou mais no mesmo lugar.
            Pode parecer simples quando eu conto assim o que acontece comigo, mas para mim é difícil não sentir a culpa por não estar escrevendo. Sinto que estou melhorando nesse quesito a cada dia, tudo bem eu não escrever como eu gostaria alguns dias, o importante é que eu me policie para tentar sempre que possível escrever. Uma hora as palavras vão criar vida no papel.


            E vocês? Também são vítimas constantes desse sentimento de „deveria estar fazendo alguma outra coisa agora“? Como lidam com isso? Me contem nos comentários!


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